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Acadêmicos da Rocinha

Acadêmicos da Rocinha Samba School flag

"Bananas Para o Preconceito"

Samba Enredo de 2019


Compositores: Claudio Russo, Diego Nicolau, Renato Galante, Kirrazinho, Ralf e Fadico (Participação Especial: Wagner Rodrigues)
Intérprete: Ciganerey

Letra do Samba

Tire o preconceito do caminho
Que eu quero passar com minha cor
Plante flor sem ter espinhos
O ódio não flagela o amor
Senhor, a liberdade ainda não raiou
Quem deveria me chamar de irmão
Tem tanto desprezo na alma
Porque se somos iguais na raiz
Primatas na essência
Mas só a mim restou a cicatriz?
Abre a porta da senzala ôôô
Me liberte das mazelas, ê favela

Bananas que a vida dá                          (bis)
A gente consome
Quando a fome apertar
Quero ver, quem não come

E quando a liberdade é lei
De congo à Chico-Rei
A negritude é ouro
É arte que enfrenta a chibata
Nos terreiros de Ciata
É mão no couro
O negro é forte feito baobá
Verdadeira fortaleza
Coisa de orixá Ê crioulo…
Erga essa cabeça, vai na fé
Ê crioula…
Mostra que a nossa raça
Não é só samba no pé
Não, mil vezes não
Replique a dor
Que o preconceito
Fere igual punhal
Quando atravessa nosso peito
Voa liberdade!
Entra na roda sinhá

Meu povo quer igualdade, respeito              (bis)
Essa luta é tanto sua quanto minha
Vai ter quizomba
No quilombo da Rocinha


Desfile 2019




Enredo 2019

  • Carnavalesco: Júnior Pernambucano
  • Diretor de Carnaval: Wilson Móises
  • Diretor de Harmonia: Daniel Katar
  • Intérprete: Ciganerey
  • Mestre de Bateria: Mestre Júnior
  • Rainha de Bateria: Monica Nascimento
  • Mestre-Sala: Vinicius Jesus
  • Porta-Bandeira: Viviane Oliveira 
  • Comissão de Frente: Hélio Bejani e Beth Bejani
  • Desfile de 2019
  • Posição de desfile: 
  • 3º a desfilar no sábado (01/03/2019)
  • entre  23:30h - 23:50h

Madeira Matriz

Sinopse - RESUMO

Tatuagem emocional. Tudo está marcado por melanina entre células. A cor impressa na pele denuncia nossa etnia, sinaliza onde está fincada nossa raiz, revela até nossa cultura matriz. Cor da pele retrata histórias, resgata memórias, nos permite transportar afetivas tradições como fruto duma longa trajetória.

Discriminar povos pela cor da pele é algo irracional. Arremessar bananas aos irmãos negros como se este ato preconceituoso fosse uma grande ofensa não deve mais gerar abalo moral, pois segundo estudos científicos baseados na teoria evolucionista iniciada pelo inglês naturalista Charles Darwin, macacos e humanos possuem um parente ancestral em comum. Ambos fazem parte da superfamília dos primatas.

Muito embora Darwin tenha razão, afinal de contas todos nós somos iguais perante leis determinadas pela evolução das espécies, ainda hoje há quem sofra na pele, por pura ignorância alheia, constrangedores atos racistas. Rocinha, subversiva, inverte essa lógica preconceituosa lançando bananas aos primatas ainda primitivos, homens mentalmente apequenados envenenados pelo racismo. Dessa forma, nossa escola deseja valorizar ações afirmativas no sentido de que todo cidadão negro se imponha enquanto agente transformador, também desenvolva sua autoestima e reconheça seu próprio valor.

No tabuleiro da baiana tem?. Bananas para o preconceito! Carnaval é cenário propicio para embananar qualquer realidade. Eis porque cada banana citada, simbolicamente relançada, tomará o contorno da valorosa identidade afro-brasileira manifestada através da dança, da música, das artes cênicas, dos esportes, dos místicos rituais, da luta por justiça almejada por negras mães Marias lata d’água, do majestoso legado cultural deixado pelos escravos, que embora vivessem em condições degradantes, jamais esqueceram sua negra nobreza trazida na pele desde África.

Embora não tenhamos evoluído de macaco algum, apenas sejamos com ele parentes de um ancestral peludo em comum, Charles Darwin hoje se espantaria caso testemunhasse alguém, por puro preconceito, jogar bananas para depreciar irmãos de pele negra. Quem manifesta preconceito racial esquece-se duma inusitada bananosa descrita na teoria evolucionista defendida pelo aventureiro inglês naturalista: tanto os macacos como os homens pertencem ao mesmo grupo evolutivo, o supergrupo dos primatas. Temos raízes primatas sim, tanto quanto silvestres chimpanzés, inclusive nossos genes são 98% idênticos, fato comprovado pela engenharia genética. Então, por que bananas atiradas aos povos de origem negra? Somente por uma questão de pele?

Originariamente pertencermos ao planeta primata. Braços dados ou não, somos todos iguais e habitantes de uma embananada selva erguida por pedras, tão tecnológica quanto caótica, onde ações intolerantes registradas pela História evidenciam escancarada discriminação racial. Em particular no Brasil, atos preconceituosos contra afrodescendentes mancham esta nação mulata desde os tempos coloniais escravocratas.

Em pleno século XXI preconceito é prova do quanto alguns humanos continuam primatas primitivos na mentalidade. Eis porque a luta antirracismo precisa ter caráter de constante ativismo social na construção duma legitima identidade negra.

Quando Darwin assegura que macacos e homens possuem um parente primata em comum ele permite justificar que bananas atiradas aos cidadãos negros também possam ser relançadas, como efeito moral afirmativo, contra quem os discrimina. “Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, sempre haverá guerra”. Guerra de bananas!

Banana ouro. Naquele anacrônico Brasil colonial os africanos aqui desembarcaram na condição de escravos, entretanto, nobres negros se rebelaram revelando o real significado de símbolos monárquicos adotados nos quilombos, irmandades e festivas manifestações populares. Essa nobreza negra tatuada na pele desde África, continente marcado por grandiosos reinados, foi instrumento relevante para superar atrocidades no ambiente humilhante da escravidão e, tempos depois, no dissimulado racismo à brasileira. Assim, Chico escravizado “deu bananas” ao garimpo onde era explorado, pois nas Minas Gerais virou rei após comprar alforrias com o ouro em seus cabelos guardado. Nobremente paramentados, alegres cortejos de ex-escravos saiam às ruas para celebrar com danças, batuques e cantos sagrados a coroação do Rei do Congo, nosso tradicional congado. Outro séquito afro abrasileirado, embalado pelas alfaias de baque virado, reverencia a corte real dos maracatus cujos Reis e Rainhas, abrigados debaixo duma suntuosa sombrinha com franjas douradas, empunham cetros e cabeças coroadas. Negro escravo vestido como nobre refletia “banana deboche” aos olhos dos senhores fidalgos.

Banana prata. Injustiçada, proibida, estigmatizada, importantes expressões culturais traçadas pelos artistas afro-brasileiros resistiram aos grilhões do nefasto preconceito após percorrer uma longa trajetória até alcançar autonomia, reconhecimento e criatividade própria. Arte negra: vivifica palavras versadas transcritas em primorosas obras literárias; projeta dramaticidade exibida na glamourosa tela; esbanja talento quando protagoniza personagens famosos em telenovelas; atrai holofotes midiáticos sobre astros-reis dos verdes gramados. Dentre valorosos campos artísticos dois cenários foram igualmente pródigos ao estrelato negro: o morro carioca, onde brotaram sambas e as “escolas”, agremiações que davam aos músicos um senso de legitimidade e permitiu romper com as segregadoras barreiras sociais porque daquele torrão fecundo desceram batucadas inspiradas por poetas bambas, muitas delas improvisadas, eternizando estrelas como Ciata, que “pelo telefone” foi denunciada, mas ao chefe da polícia “deu bananas” pra não deixar a chama do sambista malandro ser apagada. Outro cenário exuberante protagonizou espetáculos iluminados pela mágica ribalta dos palcos: TEN, Teatro Experimental Negro, idealizado por Abdias do Nascimento, um grande expoente na luta contra o racismo e a marginalização das populações afrodescendentes. Este projeto inclusivo iniciado em 1944 discutia a valorização social do negro no teatro e na dramaturgia brasileira levando ao tablado operários, empregadas domésticas, faveladas e funcionários públicos modestos, todos recrutados por Abdias, cuja aspiração era compor elencos negros para delinear um novo estilo dramatúrgico, com uma estética própria.

Banana da terra. Tal qual um Baobá frondoso nossa gente crioula floresceu em terrenos controversos desse Brasil moderno para fazer amadurecer novas consciências, ramificar autoestimas, desabrochar militantes ávidos por plantarem sementes afirmativas. Agora, ações antirracistas acontecem livremente nas ruas, nas praças, nas escolas, no trabalho, no interconectado ambiente virtual, sobretudo nas favelas, verdadeiras senzalas urbanas onde negras mães Marias continuam erguendo suas latas d’água e seguem evocando justiça em direção ao novo dia; onde jovens negros denunciam cruéis realidades ao ressoar tambores que abalam estruturas impostas pela conservadora sociedade. Mas seja na favela, seja em qualquer lugar, preconceito racial não conseguirá inferiorizar quem tem cabeça feita para ostentar cabelo, cabeleiras, cabeludos com seus poderosos blacks subversivamente descabelados. Tampouco fará intimidar filhos devotos irmanados pela fé matriz, aqueles que carregam poder no axé, que até ofertam bananas em alguidás pedindo proteção aos orixás porque neles encontram forças para lutar: “Salve Nosso Senhor Jesus Cristo, Epa Babá, Oxalá! Salve São Jorge Guerreiro, Ogum, Ogumhê, meu Pai! Salve Santa Bárbara, Èparrei Oyá, minha mãe Iansã! Salve São Pedro, Kawô Cabecilê, Xangô! Salve Nossa Senhora da Conceição, Odofiaba, Yemanjá”!

  • 2015                                       Campeã
  • 2005Campeã
  • 2001Campeã
  • 1999Campeã

Ficha Técnica

  • Fundação: 31 de março de 1988
  • Cores: Azul Branco e Verde
  • Presidente: Ronaldo Oliveira
  • Presidente de Honra: Ronaldo Oliveira
  • Quadra:
  • Rua Bertha Lutz, 80 
  • São Conrado - Rio de Janeiro - RJ
  • Ensaios: ?????????
  • Barracão: ?????????
  • Web site: http://www.academicosdarocinha.com.br
  • Imprensa: ?????????

A História da Rocinha

A escola de samba Acadêmicos da Rocinha é originária de três blocos carnavalescos da favela da Rocinha: o Império da Gávea, Sangue Jovem e Unidos da Rocinha. A Acadêmicos da Rocinha tem como símbolo a borboleta e as cores azul, verde e branca.

Desfilou pela primeira vez como escola de samba em 1989 pelo Grupo 4 na Estrada Intendente Magalhães em Campinho, tendo como carnavalesco Joãozinho Trinta. Naquele ano a escola se sagrou campeã e ascendeu para o grupo 3. Mais dois campeonatos consecutivos pelo grupo 3 em 1990 e pelo grupo 2 em 1991 a levou para o Grupo 1 onde permaneceu até 1996, ano em que obteve a segunda colocação, que lhe garantiu o direito de desfilar pela primeira vez no Grupo Especial.

A partir de 2002, a Acadêmicos da Rocinha se manteve no Grupo A e em 2005, com o enredo “Um mundo sem fronteiras”, a escola consagrou-se campeã do Grupo de Acesso A , garantindo o direito de desfilar em 2006 no Grupo Especial, que não frequentava há nove anos. Desenvolvendo o enredo "Felicidade não tem preço" a escola desceu de grupo com 371,7 pontos.

No carnaval 2008, estreou como carnavalesco, o auxiliar de Max Lopes na Mangueira, Fábio Ricardo. Naquele ano a Rocinha obteve o vice-campeonato, atrás apenas do Império Serrano, a campeã. Já em 2009, a escola de São Conrado homenageou o cartunista J. Carlos com o enredo Tem francesinha no salão… O Rio no meu coração, conseguindo a 3º colocação com 239 pontos, mantendo-se no Grupo de Acesso A em 2010.

Para o carnaval de 2010, a Rocinha segue com o carnavalesco Fábio Ricardo e busca mais um acesso para o grupo especial com o enredo autoral Ykamiabas, baseado no livro Ykamiabas - Filhas da Lua, Mulheres da Terra. contado a história das mulheres guerreiras que chegaram ao Amazonas há dez mil anos, terminando na 10º colocação, quase perto de descer para o antigo Grupo B.

Após o carnaval 2010, Maurício Mattos se desliga da escola e o então vice Déo Pessoa assume a escola[4] . trazendo Luiz Carlos Bruno como carnavalesco , para o lugar de Fábio Ricardo. Sérgio Lobato, como coreografo e da volta de Anderson Paz, como cantor principal. além disso trocou de rainha de bateria, com a sobrinha de Max Lopes (Érika Palmer), no lugar de Fábia Borges. No o carnaval 2011, com o tema Rocinha! Estou vidrado em você, a escola apresentou na avenida a trajetória do vidro desde do solo de areia até as lentes da tecnologia. Apesar de ser apontada como uma das favoritas ao título do Grupo de Acesso A, a escola ficou apenas na 9° colocação.

No carnaval de 2012 a escola de São Conrado manteve Luiz Carlos Bruno no desenvolvimento de seu carnaval tendo como enredo uma abordagem carnavalesca sobre a história das praças, foi a segunda escola a desfilar e obteve a 8ª colocação, na frente apenas por um décimo da última colocada Paraíso do Tuiuti. Na ocasião as duas últimas seriam rebaixadas para o até então grupo B, o que não aconteceu devido a uma virada de mesa da LESGA (Liga das Escolas de Samba do Grupo de Acesso), com isso, permanece em 2013 no grupo de acesso, hoje com o nome de Série A.

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