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São Clemente

Bandeira - São Clemente Escola de Samba

"Academicamente Popular"

Samba Enredo 2018

Compositores: Ricardo Góes, Flavinho Segal, Naldo, Serginho Machado, Fabiano Paiva, Igor Marinho e Gusttavo Clarão 
Intérprete:  Leozinho Nunes


Letra do Samba:

VEM VER! CONVIDEI DEBRET
PRA PINTAR O DESFILE DO MEU CARNAVAL
A ARTE NEOCLÁSSICA IMPERA
NO BRASIL COLONIAL
D.JOÃO! EM NOBRES TRAÇOS VÊ INSPIRAÇÃO
E FAZ UM RIO À FRANCESA
ERGUENDO OS PILARES DO SABER
EMOLDURANDO… A EXUBERANTE NATUREZA
ONDE TODA FORMA SE MISTURA
NA MAIS PERFEITA ARQUITETURA

É A FORÇA DA MATA, SALVE SÃO SEBASTIÃO
ONDE O ARTISTA ENCONTRA O POVO, A BELEZA DESSE CHÃO
VIU NO TOM A NEGRITUDE, VIU NO ÍNDIO ATITUDE
O ESPLENDOR DE UMA NAÇÃO

AO VER A MINHA OBRA NA AVENIDA
RELEMBRO DOS ARTISTAS IMORTAIS
É A BRASILIDADE DANDO VIDA
À ARTE DOS SALÕES AOS CARNAVAIS
HOJE… “QUEM CHORAVA VAI SORRIR”
OS MANUAIS VÃO RELUZIR
A “MISSÃO” NO PEITO DE QUEM AMA
EM MANTER ACESA A CHAMA
RECRIAR… OS 200 ANOS DE HISTÓRIA
NUMA LINDA TRAJETÓRIA
ACADEMICAMENTE POPULAR

A MAIS BELA ARTE O SAMBA ME DEU
FIZ DA SÃO CLEMENTE O RETRATO FIEL
OS TRAÇOS MAIS FINOS, COM AS BENÇÃOS DE DEUS
DESLIZAM NO MEU PAPEL

Desfile 2018




Enredo 2018

  • Carnavalesco: Jorge Silveira
  • Diretor de Carnaval: Roberto Gomes
  • Diretor de Harmonia: Marquinhos Harmonia
  • Intérprete: Leozinho Nunes
  • Mestres de Bateria: Gil e Caliquinho
  • Rainha de Bateria: Raphaela Gomes
  • Mestre-Sala: Fabrício
  • Porta-Bandeira: Amanda Poblete
  • Comissão de Frente: Kiko Guarabyra
  • Desfile de 2018
  • Posição de desfile: 2° escola a desfilar no domingo (11/02/2018)

"Academicamente Popular"

Sinopse - RESUMO

Vindos da fria Europa, com a missão de fundar no Novo Mundo uma nova Academia artística, os célebres virtuosos do Império Napoleônico desembarcam nas águas quentes da Guanabara, trazidos pela vontade soberana de Dom João. Em suas malas, a riqueza da bagagem Neoclássica: réguas, esquadros, pincéis e manuais, o desejo de “civilizar” através da força de seus ícones culturais. Fundam a Escola Real de Ciências Artes e Ofícios para organizar o ensino das artes e estabelecer uma linguagem estética oficial para a corte da nova capital. A nobre arte francesa toca o solo brasileiro para fincar suas raízes e edificar seus conceitos, erguendo colunas de saberes. Era seu destino semear essa nova terra, incrivelmente fértil de possibilidades. A beleza sempre foi a mais cobiçada de todas as bênçãos. Através dos tempos, o homem buscou a forma ideal, a sensação plena da estética. Desde a Antiguidade Clássica, o belo era tratado e considerado uma dádiva dos deuses e cultuado pelos mortais. A arte sempre foi objeto de encantamento e despertar dos sentidos, emoções e sensações – uma das ferramentas mais importantes na construção das alegorias da mente humana.
O povo sempre buscou a força da arte para se entender humano e transcender o “ser humano”, como partes complementares de uma mesma existência. Quis o destino que esse peculiar encontro ganhasse novos e singulares contornos nas terras do Novo Mundo, banhado pelo Atlântico, emoldurado por um verde exuberante. Musas da arte sopraram através dos mares misteriosos às mentes de nobres artistas até a nova capital do império português. Tal encontro só poderia surgir nessa terra privilegiada, isolada entre o mar e montanha, que chamamos São Sebastião do Rio de Janeiro. O encontro entre a arte acadêmica e as forças ocultas que nascem do povo: no caso, um povo mestiço, matizado com tons nativos e africanos. Somente aqui seria possível conceber tal mistura, entre a acadêmica arte e a espontaneidade dos mais calorosos corações.
Rapidamente, a força desse cenário captura a alma de Debret, que eterniza em aquarela a diversidade desse novo mundo que surgia. O olhar do talentoso artista foi enamorado pela beleza local e pelo esplendor de nossa mestiçagem. Em suas pinceladas, registrou o cenário da capital do Império, com todos os seus contrastes. Impossível ficar indiferente aos cânticos vindos das ruas, onde o entrudo tomava as praças em dias de festejo carnavalesco, como um cronista visual buscava o exótico, o cotidiano, os viveres dessa gente. Sua obra testemunhava a fluência do encontro de nossas matrizes culturais. Um Rio onde a negritude predominava caminhando por um cenário de arquitetura colonial.
Com o passar dos anos, as primeiras gerações de artistas acadêmicos brasileiros são formadas. Em suas obras, davam vida e cor a importantes passagens da história nacional: momentos de esplendor da corte, cenas de batalhas e a glória do exército ganham contornos épicos na visão dos artistas. A figura do índio surge nas telas como herói nacional. Era nos grandes salões anuais que eles expunham o resultado de seus estudos. Os que mais se destacavam nas competições eram premiados com medalhas e recebiam uma bolsa para completar seus estudos em renomados ateliês da Europa. Ao retornar ao Brasil, postulavam a vaga de professor titular ou substituto. Gradativamente, a primeira geração de mestres estrangeiros era substituída por brasileiros.
Os princípios franceses de igualdade norteavam essa transformação: sem restrições, a Academia se abria a receber os estudantes, independentes de sua origem social ou da cor da sua pele. Um exemplo disso foi a importante presença de Estevão Silva: negro, filho de escravos, que chegou a rejeitar publicamente uma premiação das mãos do Imperador, que não fazia jus ao seu talento. Passo a passo, a Academia vai se entrelaçando com o Brasil, como raízes firmes que abraçam o solo, se misturando a ele e extraindo sua essência. Impossível não se deixar levar pela grandeza deste verdejante país. O calor dos trópicos e a luminosidade seduzem o olhar dos artistas, sensibilizando sua paleta para os infinitos tons que nossa paisagem é capaz de produzir. A natureza brasileira “não cabia nos manuais”. Era preciso levar o cavalete até o bosque e se permitir sentir a mensagem que ecoava da mata, advinda dos troncos, dos riachos, das flores e do canto dos pássaros.
A cada geração a Academia buscava mais e mais uma identidade nacional, trazendo para o foco dos artistas o cotidiano, o folclore, as causas sociais e políticas. Sobretudo, a Escola se permitia vivenciar ares de modernidade e inovação, trazendo ao âmbito das discussões plásticas as transformações da sociedade. Os tipos brasileiros, o caipira, o interior – os caminhos vão se abrindo e a mentalidade começa a mudar.
A estética mudou… As técnicas mudaram… Os temas mudaram… Novas linguagens são incorporadas… A cultura popular se torna objeto de estudo e reflexão dos artistas e intelectuais. Com o passar dos anos, a Academia foi se transformando, sem jamais abrir mão de sua importância e seu papel. Os salões da tradicional escola se abrem para a modernidade, que cresce vigorosa como uma árvore que se ergue ao futuro, mas com raízes fortemente fincadas as suas origens.
Nessa terra de misturas raras, a bagagem clássica se entrelaçou nas folhas das palmeiras, no canto das lavadeiras, se coloriu com os tons da alegria e se fez carnaval. Basta olhar para a natureza do nosso povo para fazer crer que a missão desta Academia era ser popular. Ainda no começo do Século XX, o professor Rodolfo Amoedo tomou o pincel e emprestou sua arte ao estandarte do Ameno Resedá: um lampejo de um grande casamento que viria a seguir. Salve o casal Nery, professores pioneiros na aproximação desses dois mundos, trazendo a viagem pitoresca de Debret ao Salgueiro de 1959! Salve Mestre Pamplona, que, com a benção de Campofiorito, realizou esse encontro entre os filhos da Academia e a arte do povo, guiando uma geração inteira de artistas para as escolas de samba nos anos 60 do Século XX.
O clássico e o popular encontram abrigo no carnaval. Desde a chegada da Missão em 1816 até hoje, o tempo moldou a Academia e abriu suas portas à cultura nacional. O barracão da escola de samba tornou-se um grande ateliê, onde arquitetos, pintores, desenhistas, figurinistas, realizam todos os anos a “missão” de criar e recriar a fantasia do carnaval. É missão da São Clemente, uma escola essencialmente carioca, eternizar na passarela esses mais de 200 anos de arte e cultura dessa instituição moldada e emoldurada pelas curvas sinuosas do Rio de Janeiro, que, amorosamente, carregamos em nosso pavilhão.
Foram grandes as barreiras e desafios vencidos. Até mesmo o fogo que atingiu a sede da EBA (Escola de Belas Artes) recentemente não tem o poder de apagar sua história. É das chamas que ela há de se reerguer, como uma Fênix que renasce: “quem chorava vai sorrir”.
Nessa ópera carnavalesca, nossa escola honrosamente apresenta sua tese, para ser avaliada pela banca popular, saudando a história da Escola de Belas Artes. Nossa defesa é o próprio desfile em si: ao adentrar a passarela em 2018, a escola de samba da Zona Sul será a grande confirmação de que era destino da EBA dar as mãos ao povo em forma de um carnaval Academicamente Popular. ”
Jorge Luiz Silveira – Carnavalesco

  • 2010 Campeã
  • 2007 Campeã
  • 2003 Campeã
  • 2001                                     Vice-Campeã

Ficha Técnica

  • Fundação: 25/10/1961
  • Cores: Amarelo e Preto
  • Presidente: Renato Almeida Gomes
  • Presidente de Honra: ?????????
  • Quadra: Av. Presidente Vargas, 3.102 -Centro, Rio de Janeiro - RJ Centro Cultural da São Clemente Rua Moncorvo Filho, 56
  • Ensaios: ?????????
  • Barracão: Cidade do Samba (Barracão nº 09) - Rua Rivadávia Correa, nº 60 - Gamboa - CEP: 20.220-290
  • Web site: www.saoclemente.com.br
  • Imprensa: Chico Frota

A História da São Clemente

Década de 1960

Sua estreia nos desfiles oficiais das escolas de samba ocorreu em 1962, na Avenida Rio Branco, pelo terceiro grupo. O enredo da escola exaltou as riquezas do Brasil: geografia, vegetação, pedras preciosas, ferro, borracha, café, industria e o petróleo. No ano seguinte, 1963, a escola iniciou uma trilogia sobre a cidade do Rio de Janeiro. O primeiro enredo exaltou o Rio Antigo, dos tempos dos lampiões a gás, carruagens, tostão e vintém, destacando o Morro do Castelo e o Mosteiro de São Bento. A escola ficou muito próxima do acesso ao segundo grupo, garantido o terceiro lugar
Em 1964, a São Clemente conquistou seu primeiro título no carnaval carioca. O enredo retratou o período de 45 anos, iniciado em 1763, ano em que a sede do Vice-Reino do Brasil foi transferida de Salvador, na Bahia, para a cidade do Rio de Janeiro. Esse período durou até a chegada da família real para o Brasil em 1808. O enredo era baseado no livro O Rio de Janeiro no Tempo dos Vice-Reis, do jornalista e poeta simbolista Luís Edmundo. Na época, o governo patrocinava incontáveis festas populares (festa do divino, cavalhadas, congadas, serração da velha), uma versão brasileira da política do pão e circo romana.
Em 1965, já no segundo grupo, a São Clemente terminou sua trilogia sobre Rio, abordando os quatro séculos de glórias da cidade, através de suas relíquias e memórias, como os bondes, as obras do Mestre Valentim e os carnavais do Zé Pereira. No carnaval de 1966, a escola conquistou mais um título, com o enredo "Apoteose ao Folclore Brasileiro". O enredo partiu da formação brasileira originada das três raças. Do branco, a herança foi nas danças e na indumentária. Do índio, as lendas e contos. Dos negros africanos, a ampliação e edificação da música, por meio de instrumentos, que mais tarde originaria o samba, além de crendices e superstições que somadas às dos índios e brancos colocam o folclore brasileiro como um dos mais pujantes do mundo. Depois do abre-alas, um painel alegórico aos temas selecionados, e da comissão de frente, formada pela diretoria da escola, cada ala se encarregou de mostrar as regiões brasileiras. O primeiro carro, em homenagem à Região Norte, representou a Lenda da Boiúna (Cobra Grande). Nela, os caboclos da Amazônia acreditavam que uma cobra gigantesca tinha poderes mágicos e recusaram matá-la para evitarem sua própria ruína. O segundo carro foi uma homenagem ao Nordeste, com a representação de Iemanjá. Para representar o terceiro carro, da Região Centro-Oeste, foram trazidas diversas figuras como a do saci pererê, curupira e caipora. O último carro, da Região Sul, trouxe o Negrinho do Pastoreio. As lendas foram acrescidas de outras manifestações regionais, como o maracatu, reisado, boi bumbá, pastoril, Folia de Reis e Pau de Fita, dando maior amplitude ao sentido folclórico de cada região.
Em menos de seis anos após sua fundação, a escola de Botafogo chegou ao primeiro grupo do carnaval carioca, em 1967. Para a sua estreia no hoje denominado Grupo Especial, a escola trouxe as festas e tradições populares do Brasil, inspirada no livro homônimo de Mello Moraes Filho, avô de Vinicius de Moraes. Esse enredo foi sugerido pela cronista Eneida. As festas descritas no desfile foram a do ano-bom (ano novo), a procissão de São Benedito no Lagarto (Sergipe), o carnaval e o casamento na roça. A escola fez referência ao poema Ode a Dois de Julho de Castro Alves, dia caracterizado como a luta efetiva da Independência do Brasil. A escola não se manteve no grupo. A escola foi muito prejudicada pela chuva. O samba, a despeito de ter conquistado o prêmio de melhor samba do ano, não permitiu que houvesse a desejada harmonia e com isso a escola perdeu bastante no conjunto. As alegorias também não se destacaram. Momentos antes do desfile, a escola sofreu com a intervenção do Juizado de Menores que retirou muitos dos seus integrantes mirins por falta de documentação.
De volta ao segundo grupo, em 1968, a São Clemente fez uma apoteose à cultura nacional, exaltando o grande pesquisador Ladislau de Souza Melo Neto (1875-1893), o cientista mais influente do Brasil da época do Segundo Reinado brasileiro, o pintor Pedro Américo, o jurista e político Rui Barbosa e o escritor Machado de Assis.
Em 1969, a escola concorria a uma vaga no Grupo 1, com o enredo Assim Dança o Brasil, mas em virtude dos atrasos, os jurados abandonaram o palanque do julgamento, deixando de julgá-la, assim como as escolas Tupi de Brás de Pina, Império da Tijuca e Independentes do Leblon que encerrariam aquele desfile. O samba-enredo desse desfile, aliás, foi o primeiro a ser reeditado na história do samba, pois seria novamente apresentado em 1981.

Década de 1970

Em 1970, a São Clemente encerrou a sua bem sucedida primeira década de existência levando para a Avenida histórias fantásticas como a do sapo aru, uirapuru, saci pererê e o negrinho do pastoreio.
Durante a década de 70, a escola manteve-se em boa parte no segundo grupo, chegando a ser rebaixada para o terceiro grupo em duas ocasiões: em 1978 e em 1980, quando houve uma redução do número de escolas do primeiro e do segundo grupo, que passaram a contar com apenas 8 escola cada um.
Em 1971, a São Clemente exaltou a miscigenação através das três raças formadoras do povo brasileiro: índios nativos, os brancos portugueses e negros vindos da África. O enredo "Beijo das três saudades" era inspirado em poema de Olavo Bilac.
Em 1972, a São Clemente falou das congadas, uma dança que representa a coroação do rei do Congo, surgida com a vinda de povos africanos tornados escravos no Brasil, incorporando-se à cultura brasileira após a abolição da escravatura.
Em 1973, a São Clemente mostrou a lavagem da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim, localizada na Sagrada Colina, na península de Itapagipe, em Salvador. O enredo abordou aspectos dos festejos religiosos, como a romaria de fiéis, as tradicionais baianas com seus vasos com água perfumada para lavar as escadarias da igreja e a presença de barracas de comidas típicas.
Em 1974, a São Clemente mostrou o enredo “Sonhos Fascinantes de um jovem adolescente”, passando pela Vila Rica de Chico Rei, a cabocla Jurema do Amazonas e Iemanjá da Lagoa do Abaeté, na Bahia.
Em 1975, a São Clemente homenageou Francisco Alves, Ary Barroso e Lamartine Babo, lembrando as músicas que entraram para a história do cancioneiro nacional.
Em 1976, a São Clemente homenageou Recife, terra de Dona Santa, rainha do Maracatu Elefante.
Em 1977,a São Clemente trouxe a ficção do artista, transformando-o em príncipe que voa no cavalo alado, em busca da constelação. Lá, ele a estrela Dalva aponta o caminho de um bosque encantado onde ele viu o casamento do Sr. Mamão com D. Melancia, o traquina saci pererê e o lobisomem. Convidado para um baile de fantasmas no castelo, o artista se depara com vários destaques do Teatro Municipal, até o sol raiar.
Em 1978, a São Clemente exaltou o teatro de revista nas figuras de Walter Pinto, Carlos Machado, Virginia Lane e Carmen Miranda.
Em 1979,a São Clemente fez sua louvação às rainhas do mar, Iemanjá, das flores, Rosa, e do Maracatu, Dora.

Década de 1980

Em 1980, a São Clemente trouxe como enredo a doce ilusão do sambista, que vê sua vida transformada para melhor nos quatro dias de carnaval, para, depois da quarta-feira de cinzas, voltar a sua dura realidade.
O ano de 1980 não tinha sido bom para a São Clemente. Além de cair para o terceiro grupo, a escola perdeu seu fundador Ivo da Rocha Gomes em julho de 1980. Em 1981, a São Clemente pela primeira vez na história do Carnaval reeditou um enredo (Assim Dança o Brasil), graças a astúcia dos seus dirigentes que conseguiram junto a AESCRJ esse direito, pois em 1969 com o mesmo enredo a escola desfilou, mas não foi julgada.
Eram tempos difíceis, mas a escola aproveitou-se da adversidade para se impor no carnaval. E o resultado positivo não tardaria a acontecer. A virada da São Clemente aconteceu através das mãos do carnavalesco Carlinhos D'Andrade, que passou a dar expediente no barracão da escola em 1982, desenvolvendo o enredo sobre o arco-íris, na figura lendária de Oxumaré. No ano seguinte, 1983, levou-a ao vice-campeonato falando sobre a criação da noite, assegurando-lhe o direito de retornar ao segundo grupo em 1984.
A partir de então, a escola se caracterizou por apresentar enredos participantes e de cunho social, que, comprovadamente, a define como uma escola de samba preocupada com a problemática do povo brasileiro. Ousada, crítica, irreverente, política, esses são alguns dos adjetivos que passaram a denominar a escola de Botafogo.
Em 1984, a São Clemente conseguiu ascender ao então primeiro grupo com o enredo Não Corra, Não Mate, Não Morra: O Diabo Está Solto no Asfalto, sobre o caos e a violência no trânsito. A escola encantou as arquibancadas com a história bem humorada do Zeca Passista e os perigos do trânsito. Placas, semáforos, atropelamentos foram genialmente representados em fantasias e o amarelo e preto da escola juntou-se ao vermelho e ao verde em um desfile que levou a escola de volta ao primeiro grupo.
Pelo carnaval de 1985 com Quem Casa, Quer Casa, novamente desfilou uma sátira, desta vez, no tocante ao sério problema do déficit habitacional no Brasil. Sua comissão de frente ganhou o Estandarte de Ouro do jornal O Globo. A escola revolucionou o carnaval carioca ao apresentar a sua comissão de frente fazendo evoluções engajadas ao enredo - até então as escolas apresentavam nesse quesito a velha-guarda que tinham a única função de apresentar a escola, permanecendo estática e sem engajamento ao enredo desenvolvido.
De volta ao segundo grupo, a São Clemente entrou na avenida novamente abusando do bom humor e encantou público e jurados com o enredo Muita saúva, pouca saúde, Os males do Brasil são, abordando o descaso com a saúde no Brasil. Destaque para o carro que homenageava o hospital de Brasília, que atendeu Tancredo Neves, em que o paciente tinha seu leito infestado de baratas e tinha formigas até no soro. Um outro carro alegórico simbolizava a diligência da saúde que era puxada por saúvas. A escola ficou com o vice-campeonato.
No carnaval de 1987, a São Clemente retornava ao primeiro grupo com um belo samba, todo em tom menor, composto por Manuelzinho Poeta, Jorge Madeira e Isaías de Paula, este último, ex-interno do SAM (Serviço de Assistência ao Menor). Sua experiência de vida o permitiu expressar nos versos do inspiradíssimo samba sua revolta contra o descaso com as crianças pobres do nosso país. O enredo Capitães do Asfalto era uma réplica análoga a obra de Jorge Amado, Capitães da Areia. Durante o desfile, permeado de ironia na discrepância entre o luxo da vida do menino rico e a miséria da criança que perambula pelas ruas das grandes metrópoles, a São Clemente apresentou um grupo de meninos de rua de verdade. O desfile emocionou a Marquês de Sapucaí e proporcionou um dos melhores momentos da história da escola de Botafogo. Com esse desfile, a São Clemente conseguiu um honroso sétimo lugar, e marcou seu nome definitivamente na história dos desfiles da passarela. Muito antes de se falar em estatuto da criança e do adolescente, a São Clemente saía mais uma vez na vanguarda, e dessa vez, capitaneando o público e a crítica pararam para ver, apreciar e refletir sobre o enredo da escola.
Em 1988, com a violência ganhando as páginas de jornais e com o sucateamento do Estado brasileiro, leniente com esta causa, a São Clemente mais uma vez deu voz ao povo, especialmente o carioca. O enredo Quem avisa amigo é foi um grito de alerta contra a violência. A São Clemente passou com um grande contingente. O sucesso do ano anterior fez com que a escola fosse procurada por pessoas alheias a comunidade e a escola se agigantou. Como uma onda avassaladora, a escola colocou o dedo na ferida, clamando por um basta à violência, de uma forma muito bonita e poética, pouco convencional.
No ano seguinte, com Made in Brazil!!! Yes, nós temos banana, a São Clemente trouxe irreverência ao denunciar a influência econômica e cultural brasileira dentro do mercado internacional, com ênfase na hegemonia norte-americana. O café, a gasolina, o ouro e até os craques do futebol nacional foram abordados em forma de denúncia ao descaso com os produtos genuinamente brasileiros, saqueados a céu aberto e aos olhos complacentes dos governantes. Com um desfile marcado por problemas com carros alegóricos, a superação da escola foi fundamental, num ano em que se prometia o rebaixamento de cinco escolas.

Década de 1990

Em 1990, a grande surpresa do carnaval foi a São Clemente, ao fazer um célebre enredo E o samba sambou criticando o carnaval da Sapucaí. Destaque para os componentes da comissão de frente, que vieram com uns bonecos nas mãos, representando a comercialização no samba (compra e venda do quesito Mestre-sala e Porta-bandeira pelos dirigentes das escolas).Na sua coreografia,as fantasias eram jogadas no chão e eram pisoteadas.A fantasia do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira simbolizava bonecos de cordas. A simbologia das fantasias das alas e das alegorias era crítica a modernização do carnaval na era LIESA. A escola liderou a apuração até os dois quesitos junto com a a União da Ilha do Governador, naquele ano que prometia ser uma das maiores zebras da história dos desfiles. Mas,no final da apuração a escola terminou em 6o.lugar, sua melhor colocação até o momento.
Para 1991, o enredo ficcional-histórico-futurista, Já Vi este Filme, da São Clemente, mesclava o futuro com a história do Brasil, de forma apocalíptica. A São Clemente fez um desfile compacto. Monique Evans, grávida, brilhou à frente da bateria. O carro abre-alas desfilou, saiu na dispersão e voltou ao desfile para encerrá-lo, dando a impressão que começaria tudo outra vez, como sugeria o enredo. Destacou-se o carro com a Estátua da Liberdade em ruínas, ao melhor estilo Planeta dos Macacos. Pelo desfile apresentado, causou surpresa o rebaixamento da escola, a despeito da ingrata missão de encerrar o desfile de domingo.
Em 1992, com mais um enredo crítico, dessa vez com relação aos problemas na educação, a São Clemente fez um bom desfile, com fantasias caprichadas e de bom efeito. A comissão de frente, do bom e criativo Gabriel Cortês, veio de palmatória. Eram homens vestidos de "senhoras professoras", que no refrão (E o salário ó…), levantavam a saia e mostravam a bunda na avenida. Alguns personagens da Escolinha do Professor Raimundo desfilaram no último carro da escola. Os carros representavam matérias escolares e tinha uma ala de protesto dos professores por melhores salários.
No ano seguinte, a São Clemente inaugurou no desfile da Marquês de Sapucaí o merchandising do pão, enredo que levou para avenida. De forma irônica, a escola cobriu a avenida com pandeiros, ratinhos e, sobretudo, baianas, representando o trigo, o centeio, o milho e a cevada do "Pão nosso de cada dia".
No carnaval de 1994, a São Clemente trouxe um enredo que versava sobre a união dos povos, que pegava carona no "impeachment" de Fernando Collor. Passou pela avenida referências à literatura e a histórias infantis (mosqueteiros, três porquinhos), à música (duplas sertanejas) e à vida pública (passeatas, protestos). O enredo e o samba eram bons, mas a escola apresento um conjunto de alegorias e fantasias irregular, apesar de a fantasia da bateria estar impecavelmente vestida de mosqueteiro.
Em 1995, a São Clemente abriu o Grupo Especial, lembrando da conquista do tetracampeonato de futebol, apostando na recuperação do orgulho brasileiro. Na comissão de frente, foi reproduzido o erro no pênalti de Roberto Baggio, jogador italiano que deu o tetracampeonato ao futebol brasileiro. A escola desfilou com muita empolgação e alegria, mas era evidente a simplicidade de fantasias e alegorias. O abre-alas trouxe São Clemente ladeado por baianas, cuja ala vinha logo a seguir representando a religiosidade. A escola desfilou com simplicidade, mas muita alegria. No centro do carro dos esportes havia uma réplica do capacete de Ayrton Senna, uma homenagem ao ídolo, no qual se destacou Túlio Maravilha. Isadora Ribeiro veio à frente da bateria, que veio multicolorida e representando a moeda Real.
No ano seguinte, a São Clemente, respeitando suas cores, colocou as embarcações na avenida, desde as egípcias até as naus portuguesas, e fez um desfile bem animado, repleto de cavalos marinhos, vikings, piratas, carrancas, galeões, velas, cisnes brancos, caravelas e canhões. A comissão de frente era formada por Aqualoucos, que vieram de pés de patos. O abre-alas representava folias marítimas. Uma das alegorias, passou avaria na avenida.
No carnaval de 1997, a escola contou a história do bairro de Botafogo e um pouco da história da escola que estava completando 35 anos. O desfile foi um dos mais belos momentos da história da São Clemente, pois além do belo visual, a escola teve uma harmonia perfeita. No resultado, três escolas terminaram empatadas: São Clemente, Caprichosos de Pilares e Tradição. Tal fato gerou controvérsia, pois de acordo com o regulamento a Tradição seria considerada a campeã, uma vez que esta fez a pontuação máxima em quesitos, sendo penalizada em dois pontos, pelo número indevido de componentes na ala de baianas. No desempate, entre a Caprichosos e a São Clemente, outro problema foi observado, para que se pudesse eleger a vice-campeã, que subiria ao grupo especial. ambas perderam a mesma quantidade de pontos, nos mesmos quesitos (Comissão de Frente e Fantasias), considerando-se o descarte de notas. Uma última cláusula do regulamento diziam que persistindo tal empate dever-se-ia sortear a escola a ser considerada com melhor classificação. O sorteio foi ao vivo e a bola escolhida foi a da Caprichosos de Pilares. A São Clemente entrou na justiça, alegando suspeita de fraude na classificação. A escola de Botafogo conseguiu uma liminar concedida pelo juiz da 31ª Vara Cível, Carlos Eduardo Moreira da Silva e marcou presença no desfile das campeãs. No entanto, ao longo do ano perdeu os recursos e foi obrigada a amargar mais um ano no Grupo de Acesso.
No ano seguinte, com uma linguagem simples e direta, a São Clemente veio "mordida" e fez um protesto na Avenida, pedindo Justiça. O enredo Maiores são os poderes do povo. Se Liga na São Clemente!, retratava a briga do povo por justiça, falando da luta pelos direitos essenciais: saúde, educação, emprego, moradia. A escola elevou sua voz contra a fome, os baixos salários e a falta de cuidado com o bem-estar social. Na comissão de frente, vinham os "guerreiros de Momo", uma tropa de choque para botar ordem na casa, já que avacalharam com o carnaval. Eles vinham elegantemente vestidos e simulavam um ataque, em alusão aos jurados que prejudicaram a escola no ano anterior. A ala de baianas trouxe o nome da escola sobre o dorso em letras garrafais, mostrando o orgulho de ser clementiano. No carro da discriminação, a atriz Neusa Borges veio de destaque.
Em 1999, desfilando com sua alegria tradicional, a São Clemente abriu o desfile do Grupo Especial, com uma homenagem ao advogado, jornalista, político, diplomata e abolicionista Rui Barbosa. A agremiação realizou um desfile modesto e foi rebaixada para o Grupo de Acesso. Apesar de a escola ter tido uma melhora significativa no quesito fantasia, algumas alegorias pecaram, por falta de ousadia. Rui Barbosa foi retratado em quase todas elas. No carro da abolição, uma das figuras passou avariada.

Década de 2000

No carnaval temático dos 500 anos do Brasil, com o enredo "No ano 2000 a São Clemente é Tupi, com Sergipe na Sapucaí", a São Clemente destacou as riquezas culturais, históricas e naturais de Sergipe, dos sítios arqueológicos ao seu fabuloso folclore, questionando os 500 anos do Brasil, de forma respeitosa, incorporando o indígena não como ser exótico, mas como elemento da nossa identidade histórica. Em anos cada vez mais competitivos, a escola fez uma parceria com o governo de Sergipe, fugindo um pouco de seu estilo.
No carnaval de 2001, com fantasias leves, bem-humoradas e claras, o enredo "A São Clemente mostrou e nada mudou nesse Brasil gigante" fez referência aos diversos enredos antigos e críticos da escola. Logo no abre-alas, todo branco e prata, a escola pedia paz em pequenos estandartes que enfeitavam o carro: um enorme balde, com duas garrafas de champanhe, cercado por taças. A festa que a escola levou para a avenida era a resposta aos que fazem do país um lugar nem sempre alegre. Por isso, depois do abre-alas, vinha a dura realidade: a alegoria da favela tinha sinais de trânsito, postes com fios e placas onde se lia "não jogue lixo", além de vasos sanitários que serviam de base para os destaques.
No ano dos enredos comercializados, a São Clemente não fugiu à regra. A São Clemente comemorou os 40 anos de avenida com um tema de alerta para a necessidade de preservação do meio ambiente: "Guapimirim, paraíso ecológico abençoado pelo Dedo de Deus". O alerta veio logo atrás da comissão de frente, com as 180 baianas. A ala desfilou divida com fantasias em duas cores (branco e preto), representando a Baía de Guanabara, suas águas e a poluição. Com carros gigantescos, a escola teve problemas com um deles, que quebrou e os destaques tiveram que desfilar no chão. Era o segundo carro que apresentava os primeiros sinais da presença do homem na região de Guapimirim - que significa "nascente pequena", na língua indígena. Com alguns problemas na evolução, a escola acabou disputando com a Tradição o rebaixamento, levando a pior, talvez por ter sido a primeira a desfilar, posição comumente sacrificada pelos jurados.
No ano seguinte, a São Clemente novamente se sagraria campeã do Grupo de Acesso do carnaval carioca. O último título havia sido conquistado em 1966. A escola obteve nota máxima em todos os quesitos com um belo desfile em homenagem ao município de Mangaratiba. O resultado, porém, foi contestado pelas demais concorrentes.
No ano das reedições, 2004, a São Clemente abriu o desfile e também revisitou, não um enredo, mas sua tradição de carnavais bem-humorados, marcados pela crítica política e social, irreverentes, abandonada nos últimos anos. Sob pressão de deputados e senadores, Milton Cunha foi obrigado a mudar na última hora a escultura que mostrava Tio Sam sentado no Congresso como num vaso sanitário no enredo "Boi voador sobre o Recife - Cordel da galhofa nacional". Prejudicada pela chuva, a irreverência do enredo, que partiu da primeira cobrança de pedágio do Brasil, por Maurício de Nassau, no Recife, para criticar ferozmente os políticos brasileiros, não foi suficiente para manter a escola de Botafogo no Grupo Especial.
No ano seguinte, 2005, apesar de desfilar para arquibancadas quase vazias, no fim de uma chuvosa madrugada, a São Clemente emocionou e divertiu quem ficou para ver "Velho é a vovozinha: a São Clemente enrugadinha e gostosinha", em defesa da pessoa idosa. A escola entrou na Sapucaí com uma enorme escultura de um preto velho no abre-alas e fez referências ao filme Cocoon.
Em 2006 a São Clemente entrou luxuosa e com carros grandes e bem acabados na sua homenagem a dupla Luiz Gonzaga e Gonzaguinha. A São Clemente arrebatou o estandarte de ouro de melhor escola do acesso, mas ficou apenas com o vice-campeonato.
No ano seguinte, 2007, a São Clemente entrou na avenida disposta a acabar com todos os tipos de preconceitos. O enredo ‘Barrados no Baile’ trouxe hippies, gays, nordestinos, funkeiros, negros e todas as tribos sujeitas a qualquer tipo de discriminação se espalharam por suas 1.400 fantasias. Com 2.500 componentes na Avenida, a São Clemente não cometeu deslizes e conquistou o título do Grupo de Acesso A, que lhe deu o direito de voltar ao Grupo Especial em 2008.
De volta ao Grupo Especial, em 2008, a São Clemente abriu os desfiles com luxo, ao apresentar a chegada da família real portuguesa ao Brasil, em 1808, sob a ótica da mãe do Rei Dom João VI, Dona Maria, "a Louca". O menor tapa-sexo usado no Carnaval levou à fama a modelo Viviane Castro. Os 3,5 cm de pano, no entanto, custaram 0,5 ponto à escola. A Comissão de Verificação das Obrigatoriedades Regulamentares da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro entendeu que a passista estava nua, o que é proibido pelo regulamento. A punição prejudicou a escola, mas não foi a causa de sua queda para o Grupo de Acesso.
No seu retorno ao Grupo de acesso A, em 2009, a São Clemente abriu pela segunda vez o desfile, nesse grupo, com a manutenção do carnavalesco Mauro Quintaes, que iria desenvolver um enredo sobre a malandragem com o carnavalesco Wagner Gonçalves, mas a direção da escola resolveu mudar e trouxe Alexandre Louzada, para desenvolver o carnaval ao lado de Mauro Quintaes, o enredo O Beijo Moleque da São Clemente. A escola foi prejudicada pela organização dos desfiles, já que não liberaram a área de concentração, o que fez com que o desfile sofresse um atraso de mais de 40 minutos. A escola contou a história do primeiro palhaço negro Benjamin de Oliveira. A escola ficou na 4ª colocação com 238,5 pontos, permanecendo no mesmo grupo em 2010.[20]

Década de 2010

Em 2010 com o enredo Choque de Ordem na folia a São Clemente fez uma exibição correta e segura e sagrou-se campeã do Grupo de Acesso ganhando nota 10 em todos os quesitos, com exceção de um 9,7 para mestre-sala e porta-bandeira que fora decartado. Com xerifes na bateria, a escola mesclou as ações do Choque de Ordem coordenado pela atual gestão da Prefeitura do Rio de Janeiro e situações do carnaval contemporâneo. O abre-alas representou a Copacabana dos anos 50. Mas o grande destaque foi um enorme gato, que fez alusão às ligações clandestinas de luz e água.
No ano em que completa o seu jubileu de ouro, 2011, a São Clemente contratou o carnavalesco Fábio Ricardo, revelado na Acadêmicos da Rocinha, e um dos mais promissores, que faz sua estreia solo no grupo Especial. O enredo escolhido fez uma homenagem aos monumentos da cidade maravilhosa intitulado "O meu, o seu, o nosso rio, abençoado por deus e bonito por natureza". Apesar de ter apresentado um carnaval de qualidade, a escola não obteve boas notas do juri oficial,conseguindo o 9° lugar.
Para 2012, a escola não levará um enredo sobre o seu cinquentenário. O carnavalesco Fábio Ricardo prepara o enredo sobre os grandes musicais. O enredo foi considerado o melhor carnaval que a escola já fez. Seu desfile foi luxuoso com grandes surpresas, entre elas um violinista no meio da bateria e uma mulata inflável. Com isso ficando em 11ª lugar e permanecendo no especial.
Em 2013, a escola continuou com seus grandes alicerces, o carnavalesco Fábio Ricardo, que havia recebendo propostas de outras escolas, como Imperatriz e Mangueira, alem de continuar com as parcerias financeiras que em 2012 renderam ótimos frutos á escola; no carnaval apresentou na avenida o enredo "Horário Nobre" que lembrou muitas novelas da Rede Globo, conquistando a 10.ª colocação e se mantendo no Grupo Especial.
Para 2014, a escola anunciou seu enredo, sobre as favelas, cuja sinopse foi idealizada pelo compositor André Diniz. O desenvolvimento do enredo inicialmente seria realizado por Bia Lessa e Gringo Cardia, que devido não sair patrocínio, largaram a escola. e chegou-se a negociar com Roberto Szaniecki para ocupar sua vaga, mas não indo em frente. optando pelo Núcleo Criativo da escola, formado por Roberto Gomes, Tiago Martins, Muqueca e Ricardo Gomes, que com a participação do mago das cores Max Lopes[26] e feito junto com João Vítor, Muqueca e Tiago Martins.
Em 2015 a escola apresentou o enredo "A Incrível História do Homem que só tinha medo da Matinta Pereira,da Tocandira e da Onça Pé de Boi." Idealizado pela carnavalesca Rosa Magalhães,um dos melhores desfiles da noite e apontado por muitos como uma das cabeças da apuração. Com nota máxima nos quesitos Bateria e Mestre Sala e Porta Bandeira e três notas dez e um 9.8 de enredo,a escola da Zona Sul terminou em um bom 8° lugar superando as dificuldades dos anos passados. A escola também ganhou prêmios como Melhor Enredo e Melhor Desfile de 2015.
Para 2016 renovou com a carnavalesca Rosa Magalhães que apresentou o enredo "Mais de Mil Palhaços no Salão" falando dos palhaços. No dia do desfile o segundo carro, em que veio a carnavalesca, teve um problema com as luzes e desfilou apagado. Mas como era uma alegoria de cor clara, não ficou tão prejudicada. O terceiro carro também teve problema no chassi e parou de andar, criando um buraco no meio da avenida. A rainha da bateria, Raphaela Gomes, caiu durante o desfile. Na apuração a escola ficou em 9° lugar.
No carnaval de 2017, a São Clemente trouxe como enredo "Onisuáquimalipanse" (que em português significa "Envergonhe-se quem pensar mal disso") para narrar a história da construção de um palácio por Nicolas Fouquet, ministro das finanças de Luis XIV, palácio este que de tão esplendoroso, fez com que o rei comece a duvidar da honestidade deste ministro, terminando por condená-lo a prisão perpétua, confiscando-lhe os bens. Mesmo com um desfile elogiado, devido a sua luxuosidade, a escola repetiu o nono lugar.
Na preparação para o carnaval de 2018, a escola perdeu nomes importantes: a carnavalesca Rosa Magalhães e o coreógrafo Sérgio Lobato - ambos contratados pela Portela - e a porta-bandeira Denadir Garcia que migrou para a Vila Isabel. Para os respectivos lugares foram contratados Amanda Poblete e Jorge Silveira - vindos da Vila Isabel e da Viradouro, respectivamente. O enredo para 2018 será "Academicamente Popular", que presta uma homenagem aos 200 anos da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro.

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