• Idioma:
  • Conversão:

Home | Escola de Samba - Belford Roxo

Inocentes de Belford Roxo

Inocentes de Belford Roxo Samba School flag

"O frasco do Bandoleiro - Baseado num causo com a boca na botija"

Samba Enredo de 2019

Compositores: André Diniz / Cláudio Russo 
Intérprete: Nino do Milênio 

Anderson Paz 

Letra do Samba

FEIJÃO DE CORDA, NA CUIA A ABRIDEIRA
VERSO PRA MUIÉ RENDEIRA
E TOUCINHO DE FUMEIRO
PERFUME A PENCA, UMA AVENCA, PORCELANA
TODA CONDIÇÃO HUMANA NO FRASCO DO BANDOLEIRO
É NO SERTÃO QUE A ARTE VIBRA INSENSATA
MALABARES DO DESTINO, PRO QUE VIVE E O QUE MATA
DA FESTANÇA AO DESATINO, O PERIGO FASCINANTE
VEM CHEGANDO VIRGULINO…CABRA MACHO VIAJANTE

GUARDA PRA CORRER, CORRE PRA GUARDAR
UM LITRO DE DENDÊ, UM LOTE DE CAJÁ
O MUITO PARA DEUS É POUCO PARA O BANDO
INSANO, NA VIDA CIGANO, A MORINGA CARREGANDO
DIZEM QUE ESCUTAM À BEIRA DO CHICO
O TROTE DOS CASCOS E O CORTE DOS FIOS
MISTÉRIO NATIVO ESCONDE O TESOURO
O OLHAR DA SERPENTE, A PAIXÃO INFINITA
UM BRINCO DE ARGOLA, PINGENTES DE OURO

PRA JÓIA MARIA BONITA
CANTIS DE VINHO ADOÇAM O XIQUE-XIQUE
E A VOLANTE, DERRAMA PRANTO EM SERGIPE
CHALEIRA QUE CAI, UM FILHO SE VAI
FICA A LUZ DO LAMPEÃO
FICA A ESTÓRIA TÃO RICA AO LUAR DO SERTÃO

TRAZ A SACOLA, PÕE NO PACOTE
NÃO É DO POVO ESSE NOVO BANDOLEIRO
NÃO TIRA A BOCA DA BOTIJA E QUER O DOTE
DÁ NO CANGOTE DO INOCENTE BRASILEIRO

Desfile 2019




Enredo 2019

  • Carnavalesco: Marcus Ferreira
  • Diretor de Carnaval: Luiz Carlos Amâncio
  • Diretor de HarmoniaLuiz Carlos Amâncio, José Marinaldo (Tarzan), Marcio Pimenta e Tiago Gomes
  • IntérpreteNino do Milênio
  • Mestre de Bateria: Mestre Washington 
  • Rainha de Bateria: Thainá Oliveira
  • Mestre-Sala: Peixinho
  • Porta-Bandeira: Jaçanã Ribeiro
  • Comissão de Frente: Patrick Carvalho
  • Desfile de 2019
  • Posição de desfile: 6º a escola desfilar na sexta feira  (01/03/2019)
  • entre 01:45h - 02:35h

"O Frasco do Bandoleiro - Baseado num causo com a boca na botija"

Sinopse 

Glossário de cousas dos lajedos e areais:

Frasco (v.t.nordestina). 1. Recipiente de barro, fibra, madeira ou vidro. 2. De lata, que guarda o cultivo. 3. Balangandã de galhadas, prenúncio de vida local (povoado rural). 4. Amuleto das chuvas; aparador de águas. 5. Refratário itinerante do Cangaço. 6. Botija – cofre de finanças, tesouro que se enterra. 7. Ferramenta de artistas mambembes. 8. Ou, o famoso se vira na vida (aperreio), como já é de costume do nosso bravo povaréu nordestino.

ESSA ESTÓRIA DAVA UM CORDEL PARA CORRER O MUNDO:
(Ou estórias que o povo diz)

Lunário perpétuo. Frascaria que reflete o azul celeste. Olhar desenhado por linhas e varais de existência. Gambiarras são pontos de luz no coração de mais uma cidadezinha dos sertões da vida. Horizonte desvendado por um caminhar aberto por jegues pintados de zebras, carroças e passadas chegantes.

Palhaços tocam rabecas, malabares de cabaças cruzam o pouco ar que resta, equilibristas manejam garrafas. Guardeados por Bastiões em dia de Reis que portam ganzás de porongas. Na boca de cena, fantoches feitos de coco, entoados por um estridente xaxado, encenam o cangaço. Cangaço que parte para mais um alvoroço nas fazendas e vilarejos adiantes – como de costume. Além de chefe bandoleiro, Virgulino Ferreira da Silva, foi modelista, repentista, cinéfilo e financiador de poetas e artistas itinerantes.

Pouco pra Deus; muito, muito para o bando, pouco. Cena de filme de faroeste brasileiro ou “Bang-Bang”. Lenços cobriam a face dos bandoleiros. Pelas mãos, inúmeros anéis dos quinhões de mercadores, coronéis e fazendeiros. Seguem os alazões repletos de frascos vazios desbravando o terror nas terras do sol eminente. Arruaça feita, abastecidos: cuias de farinhais, cumbucas de grãos-cereais, balaios de caprinos, gaiolas repletas de penosas, bilhas da boa manteiga, pimenta-seca e o famoso perfume francês do Capitão. Seguem ao desconhecido repletos de feitorias – fisco temporário do viver.

Frascos cheios, pé na poeira – Digamos. Nas grutas e cavernas a procura do esconderijo perfeito, onde a vida não alcançou. Ecoa na voz dos Ribeirinhos do “Velho Chico” estórias de tesouros perdidos. Contam as rendeiras das proximidades do Vale do Raso da Catarina – Bahia, que Lampião em sua hospedagem, teria enterrado em frascos vazios de aguardente, moedas de ouro e prata, joias e parte de sua “pila”. Até hoje, lá pelas bandas, ouve-se um cavalgar embalado por “mulher rendeira”, hino ao cangaço. Difícil imaginar quem ali se aventuraria a desenterrar tais botijas. Habitam o Raso, a lenda da Catarina (Xamã que se perdeu da tribo), homens-lobos, cruéis suçuaranas e a serpente encantada dos olhos de fogo.

Fora dali a vida é hostil, terrosa. Sina coiteira comparsa ao Cangaço. Vento seco, ar que falta no balançar dos penduricalhos – prenúncio de vida rural. Frascos da lida de um povo solitário nos sertões bravios que guardam a seiva do viver – botijas, talvez. Cercados por limites naturais, fibras de murundus entrelaçadas, que pousam o secar de cabaças e porongas. Mãos de acalanto ao barro denso que moldam moringas, balaios, cestos do sacolejar até os açudes que nos restam – santidades a Padim Ciço nas romarias – o pedido das caatingas. Bens únicos ofertados pela natureza.

“Quem manda em nós é o destino” e o destino quis que fosse assim. Passos seguidos pela Volante na Grota do Angico-Sergipe, após atravessar o São Francisco, uma possível calmaria. Noite financiada por garrafas de vinho, meio a um cenário adornado de frascarias, fiéis companheiras do bando. Cantis se apoiam nos xique-xiques e facheiros; cestarias guardam cobertas e punhais; botijas-baús de joias; purrões resumidos a um fio; na fogueira a chaleira aquecia a água. Amanhece com eles, testemunhos do fim. Alvejados sem piedade, degolados a mando, saqueados como nós, de costume. Cabeças rumaram por meses; cidades como troféus erguidos em altares. Poucos foram os que restaram para o findar dessa estória.

Oitenta anos após o desaparecimento de Lampião e Maria Bonita, segue nosso inocente povaréu em “pane seca”, a buscar mesmos tesouros: nas caixas de feiras livres e mercados populares, em romaria empunhando frascos – combustíveis do viver. Só que dessa vez, pouco bandoleiros. Os Bandoleiros são outros.

(Conceito, Desenvolvimento, Texto)
Marcus Ferreira, Maio de 2018.

  • 2012Campeã
  • 2008Campeã
  • 2002                                    Vice-Campeã
  • 1998Campeã

Ficha Técnica

  • Fundação: 11 de julho de 1993
  • Cores: Azul Branco Vermelho
  • Presidente: Reginaldo Gomes
  • Presidente de Honra: Rodrigo Gomes
  • Quadra: Rua Boulevard, 1741 - Parque Sao Vicente, Belford Roxo - RJ, 26178-405
  • Ensaios: Indisponível
  • Barracão: Av. Pereira Reis, 36 Centro
  • Web site: www.inocentesdebelfordroxo.com
  • Imprensa:-

A História da Inocentes de Belfor roxo

Uma das mais novas agremiações do Carnaval carioca, o GRES Inocentes de Belford Roxo foi fundado no dia 11 de julho de 1993. Escola que sucedeu a Unidos da Matriz, tem entres seus fundadores Luiz de Bastos, Sebastião Quirino, Jairo da Silva, Aristotelina de Oliveira, Abílio Del Rey, Walter Sardinha, entre outros. 

Desfilando desde 1994, a vermelho, azul e branco de Belford Roxo conta com um campeonato conquistado no Grupo de Acesso C: em 1998, como o enredo Candonga, um adeus às baterias. No ano seguinte, a escola foi a vice-campeã do Grupo de Acesso B, com o enredo Viva a Baixada, longos passos do progresso rumo ao Terceiro Milênio. No Carnaval passado, a Inocentes homenageou a cidade de Petrópolis no desfile do Grupo de Acesso A, com o enredo Petrópolis, roxo de amor por você. A escola ficou na quinta colocação. 

No Carnaval 2001, a agremiação que já fez enredos sobre Carmem Miranda (1994) e Grande Otelo (1995) contou na Avenida a história da Região dos Lagos. Porém a escola devido a dificuldades financeiras não consegue realizar o mesmo feito que em 2000. Com o enredo : " Região dos Lagos - a Inocentes é folia na terra do Sol e do sal " a escola marga a penúltima colocação e é rebaixada após a contagem de pontos.

;