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Império Serrano

Império serrano Samba School flag

"Lugar de Mulher é Onde Ela Quiser!?"


Samba Enredo de 2021

CompositorAluísio Machado, Lucas Donato, Senna, Matheus Machado, Luiz Henrique, Thiago Bahiano, Beto BR, Rafael Prates e Renan Diniz

Intérprete: Emerson Dias e Grazi Brasil

Letra do Samba 2021:

Sou a guardiã de nossa história,
Sou eu, a Tia, dona da memória,
A Negra Realeza da Serrinha,}
Mãe Preta, do jongo, Rainha!
De pé descalço, piso forte no terreiro,
Abro a roda pra mironga de jongueiro:
Evoco em versos Marias guerreiras,
A heroica resistência nas trincheiras!
Canto a bravura e a valentia
De mulheres que lutaram dia a dia!

Vim mostrar o meu valor!
vovó ensinou, vovó contou:
Tenho sangue de Dandara,
A nobreza de Benguela!
Sou alteza da favela!

A luta não pode parar 
Insistem; não vou me curvar!
"Eu quero, a bem da verdade," a tal igualdade...
"Sonho meu" que o mundo tenha mais respeito!
"Sonho meu" fazer valer nossos direitos...
Livres da mão do algoz:
Ninguém vai calar nossa voz!

Quem diz que mulher não é valente?
IMPERIANA, PRESENTE!
Eu sou raiz, filha desse chão:
Resisto a qualquer opressão!


Desfile de 2021




Enredo 2021

  • Carnavalesco: Júnior Pernambucano 
  • Diretores de Carnaval: Zé Luiz Escafura  
  • Diretor de Harmonia:-
  • Intérprete: Silas Leleu
  • Mestre de Bateria: Gilmar Cunha
  • Rainha de Bateria: Quitéria Chagas
  • Mestre-Sala: Matheus Machado
  • Porta-Bandeira: Verônica Lima
  • Comissão de Frente: Claudia Motta
  • Desfile de 2021
  • Posição de desfile: 7° a desfilar no Sexta-Feira (21/02/2021) Entre 02:30 às 03:30


"Lugar de Mulher é Onde Ela Quiser!?"

Sinopse - RESUMO

Entrando na roda…

Nasci Maria de Lourdes Mendes, logo me tornei popular entre os nobres imperianos ao ser chamada “Tia Maria do Jongo”. Jongo é uma dança originariamente africana cujo canto, envolto por batuques, me fazia estremecer ainda no ventre materno. Esta negra manifestação cultural enraizada no morro da Serrinha, lugar escolhido por meus pais para habitar quando recém chegados das Minas Gerais, me fez cultivar dois inseparáveis amores: o próprio Jongo e o Império Serrano, agremiação que vi florescer. Já crescida, quis plantar naquele fecundo lugar meu protagonismo social enquanto mulher: virei líder jongueira e por muito tempo fui matriarca da Casa do Jongo.

Lá no morro Serrano, dadivoso torrão onde flores desabrocham em forma de mulher, vi ser cultivada na casa de tia Eulália uma expressiva nata de bambas cariocas cuja semente fez brotar, em 1947, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Império Serrano, escola aflorada no coração do seu nobre povo imperador, que germinou quão árvore frondosa lindos frutos como Dona Ivone Lara, Neide Coimbra, nossa atual presidente Vera, e as finas flores que compõem esse aprazível jardim, nossas mães baianas e todas mulheres imperianas.

Entre batucadas e cantos, entro nesta prosa jongada para glorificar mulheres poderosas. Mulheres que deixaram marcas definitivas ao reescrever nossa história.

Quem nunca delas ouviu falar é porque nada a respeito arriscaram registrar. Por isso, leia com atenção tudo quanto anseio prosear: naquele Brasil colonizado perdido no fundo do tempo, lutar por liberdade estimulou Clara Camarão, índia potiguara atuante no século XVII, a garantir seu lugar nas trincheiras históricas após liderar um pelotão armado contra os invasores holandeses fixados em Recife e Olinda.

Pernambuco, aliás, tornou-se cenário duma curiosa batalha chefiada por quatro destemidas libertárias: Maria Quitéria, Maria Clara, Maria Camarão e Joaquina. Temendo roubos de soldados holandeses ao pequeno vilarejo chamado Tejucupapo, elas se uniram para defender sua vila, suas vidas, seus filhos, usando uma arma inusitada: puseram água pra ferver em tachos, adicionaram pimenta e, entrincheiradas, escondidas mata adentro, atacavam com essa mistura, danosa aos olhos dos inimigos. Após horas batalhando, saíram vitoriosas pondo fim ao domínio holandês no Brasil e no dia 24 de abril de 1646 tornam-se as Heroínas de Tejucupapo.

Segue nossa prosa jongada, ecoada ao som dos bantos atabaques, clamando por novos sonhos de liberdade. Neste cenário atuou Madre Joana Angélica de Jesus, considerada a primeira heroína da Independência brasileira, pois pela fé resistiu bravamente aos soldados lusitanos na invasão do Convento da Lapa na Bahia em 1822. Maria Felipa de Oliveira, descendentes de escravos, também vencedora nesta mesma batalha baiana, abandonou seu habitual trabalho braçal como pescadora e marisqueira para liderar um grande grupo libertário composto por índios tupinambás, tapuias, e numerosas mulheres negras.

Um Brasil independente despertou devaneios no imaginário das mártires aqui recordadas. Assim floresceu Anita Garibaldi, esposa mãe revolucionária, que abriu mão duma rotineira vida recatada tão comum entre as mulheres catarinenses donas de casa, para daí pegar em armas e travar batalhas Brasil adentro, mundo afora.

Jongo era um canto festivo, mas também reivindicatório, clamor feito pelos negros escravizados contra a condição desumana imposta pela exploração senhorial. Rebeldia rimava com livre-arbítrio quando batucadas ressoavam nos quilombos, símbolo comunitário de resistência, lugar onde reinou mulheres como Dandara e Tereza de Benguela. Dandara lutou defendendo Palmares até perecer ao reprimir forças opressoras coloniais. Tereza foi aclamada rainha no Guariterê / Mato Grosso, onde revolucionou ao criar um parlamento legislado com justiça. Ambas libertaram mentes cativas introduzindo a sonhada realidade: naquele lugar todo negro poderia ser livre, feliz e aceito.

Eu Maria, canto jongo a você mulher do mundo moderno. Canto aos rumos contempôraneos da sua história, sem negar adversidades, tampouco os meritosos dias de glória, pois ser mulher nunca foi tarefa fácil quando engrenagens industriais anunciaram novos tempos determinando ritmos frenéticos de vidas. Sobreviver ao caos urbano cotidiano permitiu aos ideários feministas ocuparem espaços onde se travou lutas revolucionárias por direitos civis, políticos e sociais. Daí em diante “ninguém nascia mulher, tornava-se mulher”.

Tomar as rédeas de sua própria vida em conexão com aspirações coletivas fez replicar vozes femininas elevadas por megafones em mãos de ativistas, mulheres cujas reivindicações agora eram ouvidas nas ruas, nas fábricas, nos lares, em todo lugar. Algumas personagens despontam neste universo libertador, entre elas Nísia Floresta, pioneira na introdução do feminismo no Brasil. Escritora, defendeu diversas questões sobre direitos das mulheres, indígenas e negros. Leolinda Daltro, considerada “a mulher diabo” por quebrar tabus religiosos, lutou por maior participação da mulher na vida pública, pois queria integrá-la na sociedade com igualdade entre gêneros. Daltro inovou ao formular um projeto inclusivo concedendo ao índio direito de ser alfabetizado. Bertha Lutz, bióloga por vocação, foi ferrenha defensora do voto feminino, por isso fundou uma liga para a emancipação intelectual das mulheres. Pagu, musa do Movimento Modernista, contestava modelos políticos conservadores sendo preza 32 vezes por desempenhar ativa militância pela causa proletária.

Nem submissa, nem devota. Mulher transgressora vive livre, linda, vive louca. Mulher emancipada não se contenta em violar uma regra velha, pretende que sua transgressão se converta numa regra nova. Mulher livre irrita, personifica Rita, Lee psicodélica, tropicalista, roqueira, pop star, new wave. Rita, artista ativista, Mutante como uma ovelha negra que pode ser errante, pode ser diferente, excluída, desprezada, atrevida quando é hora de assumir ou sumir para mudar o mundo.

Tão-somente pilotar fogão virou ato renunciado aprisionado ao passado. Hoje, mulher reconstruída, batalha corajosamente em busca de novos campos de atuação, exerce importantes profissões, milita socialmente em diferentes trincheiras.

Enfim, o empoderamento feminino se consolidou como consequente fruto de presente ainda atribulado pelo monstro preconceito. Loucura, porém, será nunca arriscar-se, diagnosticou doutora Nise da Silveira: “É necessário se espantar, se indignar e se contagiar, só assim será possível mudar a realidade…” Mulher consciente descobre em si mesma a energia para brilhar, abre alas para passar até chegar ao sonhado palco onde deseja atuar. E brilho não faltou ao poderoso talento revelado por Chiquinha Gonzaga, Carmem Miranda, Dercy Gonçalves, Maria Lenk, nossa rainha futebolista Marta Vieira… dentre inúmeras estrelas famosas, outras tantas ofuscadas pelo anonimato, tal qual Margarida Maria Alves e suas mobilizadas margaridas em marcha pelo desenvolvimento rural sustentável com democracia, autonomia, igualdade, liberdade e justiça. Justiça, aliás, aflorou a destemida cidadã Maria da Penha, cuja dor, agora transformada em lei, decreta punição ao agressor porque em mulher não se toca nem com uma flor.

Jongo é batuque festeiro embalado por palavras cantadas. Eu, simplesmente Maria, tia eterna semeada nos nobres corações imperianos, finalizo minha prosa inspirada nos versos duma poetisa empoderada que escolheu seu lugar por entre palavras para comunicar sublimes verdades: “Liberdade tem toda mulher de voar num horizonte qualquer, liberdade de pousar onde o coração quiser”.

  • 1982Champion
  • 1972Champion
  • 1960Champion
  • 1956Champion
  • 1955Champion
  • 1951Campeã
  • 1950Champion
  • 1948Champion
  • 1949Champion

Ficha Técnica

  • Fundação: 23/03/1947
  • Cores: Verde e Branco
  • Presidente: Vera Lúcia de Souza
  • Presidente de Honra: Vera Lúcia de Souza
  • Quadra: Av. Ministro Edgar Romero, 114 – Madureira CEP 21350-302
  • Ensaios: ?????????
  • Barracão: Cidade do Samba, Barracão 07 - Rua Rivadávia Correa, nº 60 - Gamboa - CEP: 20.220-290
  • Web site: http://sambadoimperioserrano.blogspot.com.br/
  • Imprensa: ?????????

A História da Império Serrano

Em seu primeiro desfile, a escola sagrou-se campeã, no ano de 1948,[37][38] ano em que ainda não havia a divisão do Carnaval entre grupo principal e divisões inferiores. Começava a surgir, no entanto, a disputa política entre as entidades representativas UGES e FBES, sendo o Império filiado a esta última. Apenas as escolas filiadas a FBES teriam recebido verbas públicas, uma retaliação do poder municipal a proximidade entre a UGES (depois UGESB) e o PCB.

A presença de Irênio Delgado, considerado pela Portela e Mangueira como simpatizante do Império Serrano, aprofundou a cisão, levando a organização de mais de um concurso nos três anos seguintes, um por cada entidade representativa (UGESB, FBES e a efêmera UCES, que só durou um ano). No concurso da FBES, o Império Serrano venceu nos três anos, obtendo o tetra-campeonato consecutivo.

Com a reunificação do carnaval em 1952 a partir da criação da AESCRJ, não houve julgamento dos desfiles do grupo principal daquele ano, o que fez com que apenas em seu sexto carnaval a escola da Serrinha não conquistasse o título, sendo vice-campeã em 1953 e 1954. Venceu novamente em 1955 e 1956, posicionando-se a partir de então como uma das forças mais tradicionais do Carnaval carioca de então, ao lado de Portela, Mangueira e Salgueiro.

Em 1975 a escola escolheu como enredo "Zaquia Jorge, Vedete do Subúrbio, Estrela de Madureira", sendo a disputa interna vencida pelo compositor Avarese. No entanto, o samba que ficou em segundo lugar, composto por Acyr Pimentel e Cardoso, acabou sendo gravado por Roberto Ribeiro sob o título "Estrela de Madureira", e se tornou um clássico do samba, e também uma espécie de hino da escola, tornando-se muito mais famoso que o samba vencedor daquele ano.

Em 1978 entre as 10 escolas de samba do Grupo Principal, a Império Serrano termina na sétima posição e com isso sofre o seu primeiro rebaixamento da história .

No ano de 1981, é lançado o livro "Serra, Serrinha, Serrano: o Império do Samba", de Raquel Valença e Suetônio Valença, até hoje considerado uma referência sobre a história da escola.Nesse mesmo ano a escola ficou em último lugar.

Em 1982, a cantora Clara Nunes gravou o Serrinha (samba em homenagem à escola), escrito por Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro.

Também na década de 1980, a escola teve grandes momentos com enredos criados por Fernando Pamplona, desenvolvidos por outros carnavalescos, como Bumbum Praticumbum Prugurundum, de 1982, quando as carnavalescas Rosa Magalhães e Lícia Lacerda deram ao Império Serrano seu último título da primeira divisão, após um jejum de dez anos,Mãe Baiana Mãe (1983), Eu Quero (1986), Com a boca no mundo, quem não se comunica se trumbica (1987) e Para com isso, dá cá o meu (1988).[39]

Na década de 1990, a escola enfrentou sérios problemas de política interna que redundaram em três rebaixamentos (1991, 1997, 1999).

O Império voltou à elite do carnaval em 2001, mas ainda permaneceu lutando com dificuldade para permanecer no Grupo Especial. Nesse ano, trouxe um samba de Arlindo Cruz, Maurição, Carlos Sena e Elmo Caetano, que foi considerado pela crítica como o mais bonito do ano, e que contava a história da Resistência, como era chamado o Sindicato dos Estivadores do Rio de Janeiro, ao qual vários dos primeiros integrantes da escola foram ligados. Porém um defeito no principal carro alegórico, formado por um contêiner que se abriria durante o desfile, inviabilizou a surpresa que a escola havia preparado, o que certamente deve ter lhe tirado pontos preciosos.

Em 2004, o Império reeditou "Aquarela Brasileira", considerado um dos sambas-enredo mais bonitos da história, e mesmo com problemas financeiros e disputas internas, levantou o público no Sambódromo, mas acabando longe do título na classificação final.

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