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Acadêmicos do Grande Rio

Grande Rio Escola de Samba Bandeira

"Tata Londirá, the song of the caboclo in Caxias quilombo"

Samba Enredo 2021

Compositores: Dere, Robson Moratelli, Rafael Ribeiro e Toni Vietnã 
Intérprete: Evandro Malandro 

Letra do Samba 2021

É pedra preta!

Quem risca ponto nesta casa de caboclo
Chama flecheiro, lírio e arranca toco
Seu “serra negra” na jurema, juremá
Pedra preta!
O assentamento fica ao pé do dendezeiro
Na capa de Exu, caminho inteiro
Em cada encruzilhada um alguidar

Era homem, era bicho flor
Bicho homem pena de pavão
A visão que parecia dor
Avisando salvador, João!
No camutuê Jubiabá
Lá na roça a gameleira
"Da Goméia" dava o que falar
Na curimba feiticeira

Okê! Okê Oxóssi é caçador
Okê! Arô! Odé!
Na paz de zambi, ele é mutalambo!
O alaketo, guardião do agueré 

É isso, dendê e catiço
O rito mestiço que sai da Bahia
E leva meu pai mandingueiro
Baixar no terreiro quilombo caxias
Malandro, vedete, herói, faraó
Um saravá pra folia
Bailam os seus pé E pelo ar o bejoim
Giram presidentes, penitentes, yabás
Curva se a rainha
E os ogans batuqueiros pedem paz

Salve o candomblé, eparrei Oyá
Grande Rio é Tata Londirá
Pelo amor de Deus, pelo amor que há na fé
Eu respeito seu amém
(Você respeita meu axé) 

Desfile 2021




Enredo 2021

  • Carnavalescos: Renato e Márcia Lage
  • Diretor de Carnaval: Leandro Azevedo
  • Diretor de Harmonia: Jayder Soares e Helinho de Oliveira
  • Intérprete: Evandro Mallandro
  • Mestre de Bateria: Fabrício Machado 
  • Rainha de Bateria: Paola Oliveira
  • Mestre-Sala: Daniel Werneck
  • Porta-Bandeira: Taciana Couto
  • Comissão de Frente: Hélio Bejani e Beth Bejani 
  • Desfile de 2018
  • Posição de desfile: 3º a desfilar no domingo (03/03/2019)



"Tata Londirá: o Canto do Caboclo no Quilombo de Caxias"

Sinopse - RESUMO

Chega de violência, sofrimento e dor
O pelourinho ainda não findou
para os ocultos opressores da nação

G. Martins, Adão Conceição, Barberinho, Queirós, e Nilson Kanema
– Águas claras para um rei negro (samba de enredo do carnaval de 1992)

Pandeiro quando toca
Faz Pedra Preta chegar
Viola quando toca
Faz Pedra Preta sambar

Baden Powell e Vinícius de Moraes – Canto do Caboclo Pedra Preta

Rio é orixá, vento é inquice, maré é vodum,
pedra de riacho é encantamento de bugre.

Luiz Antonio Simas – A morada do rei dos índios

Okolofé!
Xetruá! Maromba Xeto!
Viva o Brasil-Caboclo e salve o Brasil-Pandeiro!
Jurema, Jibóia, Peri, Jupiara, Flecheiro, Jaciara, Aimoré, Tupiaçu, Campina-Grande, Cobra-Coral, Sete-Flechas, Sete-Encruzilhadas, Girassol, Sultão-das-Matas, Guiné, Jaguará, Pena-Branca, Araranguá, Tabajara, Cachoeira, Tupaíba, Rompe-Mato, Guaraná, Mata-Virgem, Sete-Estrelas, Folha-Verde, Treme-Terra, Tira-Teima, Tupinambá, Ubirajara, Águia-Branca, Ventania, Arranca-Toco, Vira-Mundo… em verde, vermelho e branco, as cores dos seus cocares.

Em verde, vermelho e branco, as cores que nos irmanam.
Sambemos!

O samba é o dono do corpo. Exu, o pó das estradas: Laroyê!

Clareia, Dindinha… As noites sem-fim da Bahia, já dizia Jorge Amado, guardam os sonhos daqueles que ousam varrer o mundo. Fumaça, perfume, poeira no redemunho. No fundo, no escuro da casa, as aparições teciam destinos emaranhados. Causos, sopros, quebrantos. Olhos pretos de carvão! Rede que balançava a Lua nas lamparinas. Um clarão e o vulto ali: era homem?, era bicho? Voo de vaga-lumes, raízes tão retorcidas. As vozes dos devaneios indicavam o desenredo: deixar para trás os medos, nos passos do Conselheiro; seguir em direção ao mar e reinar no Trono de Angola. João Alves de Torres Filho, menino, vestiu-se em asas de pássaro.

Deu-se o fogo no mato!
Até parece mentira, até parece milagre.

O samba é o dono do corpo. Ao Sol de São Salvador: Agô!

Flores aquareladas, folhas no chão do mercado. Coube ao velho Jubiabá, feiticeiro de muitas histórias, raspar a cabeça do moço. No alto do Morro da Cruz, sorveu o saber dos encantos. Nas festas de Dois de Julho, vestiu-se em mantos de penas. Vou-me embora pro sertão; viola, meu bem, viola! Foi na roça da Gomeia, aos pés de uma gameleira, que João da Pedra Preta firmou o seu Candomblé. Foi na roça da Gomeia, caminho de São Caetano, que as gentes mais afamadas fizeram mandinga e fuzarca. Dendezeiros, mesa farta. Axoxô e aluá. Quem não viu o bailado forte da Corte dos Orixás?

O samba é o dono do corpo. Oxóssi, o Rei caçador: Okê Arô!

Deu-se, então, a navegação. Para ser livre, nunca é tarde demais. Búzios, cauim, juremeira. Cascas, flechas de Keto. Perseguido por suas crenças e por sua visão libertária, João seguiu mar afora, aos braços do Redentor. Encontrou no chão de Caxias o ponto da nova Gomeia. Plantou os ensinamentos colhidos na roça baiana. Aldeia contemporânea, evocação ancestral. Baixavam os caboclos na Baixada, Auê!, no mesmo transe dos deuses d’África (oceanos de travessias). Bravos guerreiros daqui, saberes do ventre da mata. Do lugar, Oxóssi era o dono. Iansã, a mãe zeladora. Lambaranguange Mutalambô! Caça na Aruanda, ô coroa!

O samba é o dono do corpo. A carne é de carnaval: Evoé!

João, malandro e vedete, abraçou o fuzuê das ruas – e no frenesi dos bailes causou o maior dos espantos. O pavão é um “passo” bonito; com suas pena dourada! Deuses de todos os credos reinavam nas passarelas. Qual não foi o bafafá quando ousou se vestir de Cleópatra? Foi ainda Faraó – “Saravá, meu pai Ramsés!” Do Teatro de Revista, herdou os leques de plumas. E nas escolas de samba foi “herói da liberdade”: Ganga Zumba, líder quilombola da saga de Palmares! Fama e notoriedade, luxo e raro esplendor. Oropa, França e Bahia bordadas em fantasias. Sob um céu de decorações, desfilou a sua grandeza. Alfinetou nos jornais: os olhos o procuravam!

O samba é o dono do corpo. O show não pode parar: Bravo!

João, bailarino brilhante, rompeu as fronteiras do rito. A arte o transfigurava: nos palcos da Zona Sul, nas luzes de hotéis e cassinos. Deixou no Municipal o aroma de benjoim. Deixou com Mercedes Baptista o sumo do seu bailado. Do Catete ao Katendê: foram muitos os notáveis que a ele entregaram a fé. Câmara Cascudo e Edison Carneiro beberam do axé caxiense – e podiam tranquilamente girar com Getúlio Vargas. Dos tragos com JK adveio a missão secreta: arriar mais de cem ebós em um eixo profetizado. Dizem que veio dela, a Rainha da Inglaterra, o título maioral: Joãozinho da Gomeia, o “Rei do Candomblé”! A ele enviava presentes e à distância se consultava – graças ao amigo Chatô, nos ecos dos carnavais…

O samba é o dono do corpo. Oyá, nas rosas vermelhas: Eparrei!

O vento que corta, arrepia. O raio que estoura, ensurdece. Nas folhas não maceradas, João avoou encantado – e pode ser redesenhado, andorinha no arrebol; e pode ser reinventado, enfim Labá-Labá. Na batida dos tambores, no Eruexim de Iansã, na espada de Kaiangô. Afefé! Podem ser revisitados os encontros na Gomeia, podem ser reinstalados o desejo e a magia. De ver os terreiros floridos nas tardes de luz e festa. De ver as estrelas candentes no espelho das noites de gala. Fitas e franjas balançam e dançam nas festas juninas. Pinturas de jenipapo, grafismos de urucum. Nos traços do mestre Abdias, no abô de Omindarewá.

João de Inhambupe.
Do barro encarnado, o chão de Caxias.
Da terra que clama o chão de Zumbi.
Do Brasil que se faz cortejo. Do Brasil-contradições.
São negras memórias que se entrelaçam, em ciranda, com o tempo. Tempo Rei, compositor. Nzara, Senhor Kitembo!
São negras vitórias que moram nos roncós das nossas almas – e que na avenida explodem num grito de pertencimento. Respeito!
São negras histórias marcadas nos pés do nosso passado – e que num presente tão duro resistem feito mocambos. Não quebram!
Vibra novamente o couro do atabaque!
Verde em cada menino o tronco do Quilombismo!
Porque há sempre de ecoar mais forte o canto de cada Caboclo.
Viva o Povo-de-Santo e salve o Brasil-Terreiro!
Xetruá! Maromba Xeto!
Axé, Tata Londirá!

Eu sou jongueiro, baiana
Sapucaí, eu vou passar
E a Grande Rio vem comigo, saravá!

  • 2010  Vice-Campeã
  • 2007Vice-Campeã
  • 2006Vice-Campeã
  • 1992Campeã

Ficha Técnica

  • Fundação: 22/09/1988
  • Cores: Vermelho, Verde e Branco
  • Presidente: Milton Perácio
  • Presidente de Honra: Jayder Soares e Helinho de Oliveira
  • Quadra: Rua Almirante Barroso, 5 e 6 – Duque de Caxias - RJ – CEP 25010-010
  • Ensaios:-
  • Barracão: Cidade do Samba (Barracão nº 04) - Rua Rivadávia Correa, nº 60 - Gamboa
  • Web site: www.academicosdogranderio.com.br
  • Imprensa: Alice Fernandes

A História da Grande Rio

Nos anos 50, a cidade de Duque de Caxias teve uma participação efetiva no carnaval carioca, com a escola de samba Cartolinhas de Caxias. Esta agremiação participou do grupo de elite das escolas cariocas três vezes (1951, 1958 e 1959), participando posteriormente, com frequência, dos grupos intermediários e sendo respeitada pelo mundo do samba. O último desfile da Cartolinhas foi em 1971, quando com o intuito de fundar uma grande agremiação que representasse dignamente o município, os dirigentes das escolas União do Centenário, Cartolinhas de Caxias, Capricho do Centenário e Unidos da Vila São Luís unem-se e de sua fusão é fundada a GRES Grande Rio em 10 de maio de 1971.
Em 1988, um grupo de sambistas de Duque de Caxias reuniu-se para criar uma nova agremiação para o município. Para filiar-se à AESCRJ, à época, era preciso que a agremiação já fosse um bloco carnavalesco.Por isso, a nova escola utilizou a estrutura jurídica do bloco de enredo Unidos do Lambe Copo, situado na Prainha, em Caxias, e que havia competido pela Federação dos Blocos, pela última vez, em 1979, sendo campeão do Grupo 8.[8] Milton Abreu do Nascimento, conhecido como Milton Perácio, foi eleito o primeiro presidente, e decidiu convidar Antonio Jayder Soares da Silva para ser o presidente de honra e o então deputado Messias Soares para ser o patrono. A Acadêmicos de Duque de Caxias foi oficialmente fundada em 22 de março de 1988, porém como forma de evitar que a nova escola precisasse começar na quinta divisão, finalmente, em 22 de setembro do mesmo ano, após muitas reuniões entre os membros das duas diretorias, a Acadêmicos de Caxias e a Grande Rio se fundiram, dando origem à atual G.R.E.S Acadêmicos do Grande Rio, cujo símbolo se compõe de uma coroa encimando um escudo dividido ao meio, aonde estão sobre um fundo vermelho um tambor com suas baquetas cruzadas e do outro lado, sobre um fundo verde a Reduc (Refinaria Duque de Caxias), e logo abaixo do mesmo há uma fita branca aonde se lê o nome da agremiação.

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